Bêbados das ruas

A minha grande deferência é para com os bêbados das ruas. Esses que ficam perambulando pelas ruas, causando o distúrbio da ordem pública. Figuras simples, nem sempre tranquilas, quase sempre inquietas. Não consigo imaginar como arrumam dinheiro para tanta bebida. Passam todos os finais de semana bêbados. Bom, pelo menos eu não os encontro no meio da semana, e quando encontro, lá estão eles, bêbados. Mas mesmo assim, são pessoas de boa alma, indulgentes; ou será eu um ser repleto de indulgência?
Apinhados de uísque barato e cerveja quente, eles vagam pelas ruas como se quisessem chegar a algum lugar, mas nunca cessando suas peregrinações. Esses homens, a quem agora dedico o meu escrever, são póstumos de homens que já viveram na lucidez da humanidade, que já tiveram um emprego “digno” e, também, uma vida aos moldes da sociedade contemporânea. Mas hoje não. Hoje eles dão o troco na humanidade. Hoje eles cospem de volta, todo o lixo que foram obrigados a engolir (trecho parecido com a musica Geração Coca-Cola, Legião Urbana).
Às vezes absortos, me intrigam para querer saber o que se passa na cabeça de certas criaturas. Mas, como que para disfarçar um pensamento mirabolante, logo vem a reação despejadas em gritos, tolices e coisas sem sentido. Ou talvez, sem sentido para nós. Os jugamos como pessoas inconscientes que não têm controle sobre o próprio vício da bebida. Imagino se um dia fossemos todos iguais a eles. Imagine todas as pessoas do mundo bêbadas para sempre. Talvez as guerras acabassem, as mortes acabassem, a dor acabasse... vai saber, ninguém ia se incomodar muito, já que todos estariam bêbados de mais para se conscientizarem de alguma coisa. Alguns mal intencionados poderiam se aproveitar da situação para dominarem o mundo, se tornarem soberanos e manteriam toda a sociedade na bebedeira plena. Mas que isso importa? Que dominem o mundo se essa for a intenção deles, ele já está dominado mesmo. Os bêbados das ruas é que têm sorte de não fazerem parte dele. Essas criaturas sórdidas, sim, têm a minha admiração. Esses, sim, sabem viver.

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